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A esquecida obra de arte progressiva do Pholhas

Álbum esquecido do grupo paulista da década de 70 é cultuado por admiradores do gênero.

Sem muitas novidades acontecendo ou sendo lançadas no mundo do rock ‘n’ roll nada como garimpar o que é antigo e que pode soar como uma “velha novidade”.

E de repente diante de algumas pesquisas me deparo com a informação de que o tecladista original da Casa das Máquinas, Marinho Testoni, gravou em 1977 um LP com a banda brasileira de soft rock, Pholhas, que ficou conhecida com canções originalmente gravadas em inglês e covers de bandas internacionais de rock. Inicialmente, a banda se consagrou tocando em bailes, dando muita experiência instrumental aos seus integrantes.

Vale dizer que apesar das grandes vendagens de discos, os Pholhas foram esquecidos pelas gerações posteriores que admiram rock. Pode ser porque se pautavam pela onda do momento e agradavam o público em geral, que curtia baladas dançantes. Não apresentavam o espírito contestador do rock ‘n’ roll em uma época em que o Brasil mergulhava nos “anos de chumbo”.

Diz a lenda, que mesmo contrariados, eles chegaram a se render à pressão da gravadora e lançaram um álbum só com canções de “discotheque”.

Em um confuso cenário com a diversidade de estilos, o tecladista Hélio Santisteban resolveu sair do grupo para investir em carreira solo e dar lugar ao virtuoso músico da escola progressiva, Marinho Testoni.

Se a intenção de ampliar as vendagens não foi atingida, pelo menos artisticamente o ganho foi imensurável. Mesmo com um comportamento oportunista da banda, que desejava repetir as experiências bem sucedidas dos Mutantes e da Casa das Máquinas, por exemplo, o resultado foi satisfatório para os admiradores do rock progressivo brasileiro e, porque não, ainda é!

A primeira característica que chama a atenção é que o álbum foi cantado todo em português (o primeiro do grupo na língua natal). Além disso, o trabalho apresenta grandes solos de guitarra e reforçados temas de teclados, além das letras com um tom esotérico sutil.

A canção “Imigrantes” destaca a bateria como pouco se tinha ouvido em alguma canção do rock nacional da época. Muitas quebradas e viradas, além dos riffs de guitarra e os reforçados teclados de Marinho. E a fórmula não é muito diferente da aplicada em canções como “Panorama”, “Somente Rock ‘n’ Roll” e “Águas Passadas”, com uma longa introdução de guitarra e teclado.

Com um pouco de esforço dá para perceber influências de bandas inglesas como Yes, mas sem perder a autenticidade brasileira.

Após ser lançado, o álbum não repetiu as grandes vendagens dos trabalhos anteriores. O Pholhas vendia uma média de 300 a 400 mil discos. O Pholhas vinha de um período de cinco anos com grandes vendas de discos. Eles aproveitaram que a MPB estava em baixa e o público desejava ouvir canções em inglês.

Ao ingressar no projeto progressivo, a banda qualificou seu público, mas vendeu menos. Não deu outra. O trabalho se tornou Cult e hoje só é encontrado por preços elevados na internet, ou por meio do mp3.

ANDRÉ MOLINA – É jornalista e economista. Em 2013, publicou o livro “O Divã do Rock Brasileiro – a música jovem da década de 80 por quem esteve lá” pela editora Compactos. Também contribuiu em sites e blogs de música e trabalhou em TV como editor de Cultura.

A Re-Volta do Veludo

re-volta veludoPor Nelio Rodrigues

Para Elias Mizrahi o Veludo nunca desapareceu. No máximo, passou prolongado período em hibernação. Responsável pela maior parte das composições do extinto grupo, que ora tenta ressurgir, o tecladista, cantor e guitarrista jamais abandonou o hábito de compor. Ao longo dos anos, vem acumulando farto material que sobeja em fitas que o músico mantém arquivadas em casa. “São mais de mil músicas”, confirma Elias. A fim de dar forma final a parte pequena de sua criação e com a idéia do Veludo ainda latente, ele chamou o baterista Gustavo Schroeter, ex-Veludo, e o baixista Lincoln Bittencourt, ex-integrante d’A Bolha, para, juntos, iniciarem uma longa jornada de gravações.

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Módulo 1000 – Não Fale Com Paredes

naofalecomparedesPor Marcelo Spindola Bacha e Rodrigo Araujo (Whiplash.net)

A virada dos anos 60 para os 70 foi marcada por profundas transformações musicais. A consagração do psicodelismo, sedimentando as bases do rock progressivo e do hard rock, a mistura de estilos e influências, a evolução tecnológica associada ao experimentalismo, todos esses fatores vêm sendo sucessivamente relembrados durante as últimas décadas e apontados como os principais responsáveis por um período tido quase que unanimemente como o mais fértil da música pop em todo o mundo: a década de 70. Mas, e no Brasil? Será que tudo aconteceu da mesma forma, e no mesmo ritmo? Como foi a trajetória de uma das bandas de rock progressivo pioneiras no território nacional? Tentamos remontar um pouco dessa história conversando com alguns integrantes do banda.

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“Por que ouvir o Rock Progressivo Brasileiro?” – Parte 1

Por Tarcisio Lucas (tarcisiolucashp@hotmail.com)

“Por que ouvir rock progressivo brasileiro?” – me perguntou um amigo certa vez, quando comprei e lhe apresentei o vinil original do disco “A Casa Encantada”, da (maravilhosa) banda O Terço. Esse episódio passou-se anos atrás, e desde então essa pergunta ficou martelando dentro de meus pensamentos, não pela falta de uma resposta adequada, de forma alguma, mas justamente pelo contrário; dentre tantos argumentos que eu poderia utilizar, quais seriam os mais indicados para alguém que ainda não está familiarizado com o tema?

Pois bem, segue aqui uma série de textos cujo intuito é justamente pensarmos essa questão, sendo esse apenas o primeiro e introdutório.

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