“Por que ouvir o Rock Progressivo Brasileiro?” – Parte 1

Por Tarcisio Lucas (tarcisiolucashp@hotmail.com)

“Por que ouvir rock progressivo brasileiro?” – me perguntou um amigo certa vez, quando comprei e lhe apresentei o vinil original do disco “A Casa Encantada”, da (maravilhosa) banda O Terço. Esse episódio passou-se anos atrás, e desde então essa pergunta ficou martelando dentro de meus pensamentos, não pela falta de uma resposta adequada, de forma alguma, mas justamente pelo contrário; dentre tantos argumentos que eu poderia utilizar, quais seriam os mais indicados para alguém que ainda não está familiarizado com o tema?

Pois bem, segue aqui uma série de textos cujo intuito é justamente pensarmos essa questão, sendo esse apenas o primeiro e introdutório.

Para aqueles pouco familiarizados com o RPB (como nos referimos carinhosamente ao “rock progressivo brasileiro”), o termo “progressivo” imediatamente traz a mente bandas como Yes, Pink Floyd, Renaissance, Marillion, Gentle Giant, King Crimson, entre muitas outras. A minha própria iniciação no estilo se deu através dessas bandas, sendo que vim a conhecer o RPB anos depois. Essas bandas citadas certamente possuem discografias incríveis, e merecem de fato todo o reconhecimento que tiveram, longe de colocarmos em xeque esse fato.

O que devemos tentar então, adjacente à pergunta “por que ouvir o rock progressivo brasileiro?”, é responder aos seguintes questionamentos: O que o RPB acrescenta ao estilo? O que as bandas brasileiras fizeram (ou fazem) que possa me levar a ouvir um disco de algum de seus representantes, ao invés de passar minhas (raras) horas livres ouvindo “Close to the Edge”, do Yes, ou “The Wall”, do Pink Floyd, por exemplo?

Como disse, passei anos elaborando uma boa resposta, e acredito ter encontrado algumas muito boas. Para que meus argumentos possam ser plenamente entendidos, é necessário que o nobre leitor atente para alguns dados acerca de alguns grandes representantes do RPB:

  • A banda Moto Perpétuo lançou seu primeiro disco, auto intitulado, em 1974;
  • O Som Nosso de Cada Dia lançou o clássico “Snegs” também em 1974;
  • O Terço começou a realizar lançamentos de álbuns em 1969;
  • O Som Imaginário lançou seu primeiro disco em 1970;

Enfim, o que esses dados podem nos dizer que possa esclarecer essas questões?

Simples. Analisando as datas de lançamento, percebemos que esses pioneiros e grandes expoentes do estilo em terras tupiniquins foram, antes de tudo, CONTEMPORÂNEOS dos grandes medalhões do estilo no exterior (especialmente na Inglaterra).

Terreno Baldio e Som Nosso de Cada Dia lançaram álbuns no mesmo ano em que o Yes lançava o famoso “Relayer”. O Som Imaginário estreou junto com o disco “Atom Heart Mother”, do ainda embrionário Pink Floyd.

Dessa forma, o meu argumento passa a ser simples; Uma vez que o rock progressivo teve sua fase áurea nos anos 70, ainda que as bandas nacionais tenham bebido na fonte das bandas estrangeiras, podemos sim, cronologicamente, dizer que elas ajudaram a construir e firmar o estilo!

Alguns dos grandes álbuns de RPB (como os citados,  e muitos outros) foram lançados simultaneamente junto à muitos álbuns consagrados de bandas internacionais, como Pink Floyd, Yes, Gentle Giant, só para citar alguns.

As bandas nacionais, especificamente nesse primórdio nas década de 70 não foram imitadores, copiadores, ou qualquer termo que queira se dar; foram isto sim, desbravadores do estilo!

E como desbravadores, merecem sim todo o crédito e a mesma escuta atenta que dedicamos a qualquer outra banda, brasileira ou não, do estilo.

“Por que ouvir o rock progressivo brasileiro?”, então me perguntou meu amigo.

Meu primeiro argumento então é esse: as bandas de RPB estão entre aquelas que erigiram e ajudaram a estabelecer e moldar o gênero, mesmo que tenham ficado na obscuridade e recebido pouquíssimos créditos (ou mesmo créditos nenhum) por esse feito, que por si só, já mereceria nossa atenção e respeito.

Mas ainda podemos dizer muito mais. Aguardem!

4 Thoughts on ““Por que ouvir o Rock Progressivo Brasileiro?” – Parte 1

  1. Mt bom. Eu adoro RPB! E saber q bandas nacionais fazem parte do nascimento desse estilo, q p mim é a melhor vertente do rock, é admirável.

  2. Reginaldo queiroz on abril 14, 2015 at 5:57 pm said:

    Conheça-te a ti mesmo e chegará ao divino. Quando escuto RP sinto-me por inteiro.

  3. André on abril 15, 2015 at 9:27 pm said:

    Olá amigo, parabéns pelo site e postagens.
    Sou um apaixonado por rock progressivo brasileiro e latino-americano, mas infelizmente discordo da sua opinião em que este foi fundamental para a criação do estilo e sua contemporaneidade com grandes nomes ingleses. Os primeiros trabalhos citados, de Som Imaginário (1970) e O Terço (1970) pouco tem pouco do estilo, que veio com força na metade da década, com excelentes trabalhos já citados aqui.

    Responder sua pergunta, o que me atrai no RPB são as influências da nossa música, letras em português e claro, outros adjetivos já comuns ao estilo no exterior e aqui.

  4. Gentle Giant, desconhcido no Brasil. Seu primeiro LP foi lançado apenas so no Reino Unido!!

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